Caiçara preserva modo artesanal de construir canoa
Ubatuba, dizem alguns, quer dizer “lugar com muita canoa”. Renato da
Cunha Bueno trabalha na beira da Rodovia Rio-Santos, que levou o 
movimento para a região na década de 1980, e faz canoas como 
antigamente, no tempo em que o transporte todo era feito por mar.

“Eu praticamente nasci dentro de uma canoa. Eu, meu pai, minha mãe, meu 
irmão. Tudo caiçara. Sempre gostava de construir canoa pequenininha de 
madeira. Fui aprendendo a fazer as canoas maiores”, disse o artesão 
Renato da Cunha Bueno.

Renato sabe o quanto é importante cuidar do que resta da Mata 
Atlântica. Por isso, só trabalha com árvores que caem sozinhas na mata 
e com autorização do Ibama. Um tronco de quase dois metros vira canoa.
Renato vai desenhando o formato do casco com uma motosserra. Depois vem 
o acabamento. Para dar a proporção certa à canoa, ele não pega régua nem 
compasso. O melhor jeito é usar um barbante besuntado de carvão. Uma 
ideia genial, sabedoria de velho caiçara.

A motosserra é o toque moderno, facilita muito. Mesmo assim, são três 
horas até o barco ganhar forma.

O mais incrível é a simetria que ele vai fazendo no “olhômetro”.
“Eu queria que o pessoal se interessasse mais e aprendesse a fazer para 
não morrer. A cultura caiçara da construção da canoa”, lamenta Renato.

Dizeres de reporter Paglia em entrevista com Renato Bueno para o Globo 
Mar.



   
 
   
    
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